sábado, 25 de maio de 2013

Paisagem oposta



O clima gelado outonal bate a janela. O calor interno choca-se com o frio externo culminando no vapor caloroso e amigável. A brisa bate, mas as janelas estão fechadas. O calor interno, em demasia, começa a impulsionar um sentimento de aprisionamento. O espírito livre pode ser acionado até mesmo em ambientes fechados, só basta querer fazê-lo. Mas o vento, às vezes, até mesmo gelado, nos impulsiona à vida de modo com que nos permite senti-lo bater à face.

A janela continua fechada. O ar que não circula no ambiente, permanece atormentando aquele que almeja voar. Então, já que o seu espírito está aprisionado, ele decide abrir a janela e respirar o ar renovado. E enquanto observa a vizinhança, sente algo bater-lhe nas costas. Instantes mais tarde, perde o equilíbrio e cai sacada a fora.

Antes de chegar ao chão, se depara com uma imagem impressionante, pois vê tudo de ponta cabeça. E ele jamais havia visto a vida por esse ângulo. E, durante o impacto, não sabe se havia alguém o segurando pelas mãos acima ou se alguém amortecia a sua queda abaixo. 

Depois do tombo, percebe que estava tudo invertido e que o tombo ocasionado aconteceu quando estava deitado na cama, vendo a vizinhança pela porta da sacada e quem o segurava, era um urso de pelúcia gigante que estava desajeitado na cama.

E ele se deu conta de que, a vontade de sair era tanta, mesmo estando dentro ou fora, a liberdade mais importante é aquela que encontrou dentro de si ao ver tudo invertido, pois percebeu que tudo é mais belo quando vemos de ângulos diferentes.



Joyce Gomes
25/05/2013

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