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terça-feira, 3 de junho de 2014

O passarinho


Para Anderson,

Passarinho passa aqui, passa ali, voa, cutuca a parede, tenta fugir, mas está preso num canto. Bica, bate, chuta, voa. Continua preso. Vira pra cá, anda pra lá. Continua preso. Sobe numa madeira, desce. Continua preso. O passarinho precisa do céu, mas não consegue encontrar a saída. A saída é distante e ele continua pulando aqui, saltando ali... Então, depois de tanto tempo insistir, um par de mãos se aproxima, apanha e leva-o porta a fora, libertando-o, permitindo com que ele voe para o horizonte.

Quem não ama, se sente como o passarinho até que vem alguém e o liberta para viver um grande amor! E essa pessoa que liberta nos faz feliz pois, pela primeira vez, permite conhecer um sentimento tão belo como esse!

Você é essa pessoa que me libertou do meu próprio mundinho.

Te amo!

Joyce Gomes
10 de julho de 2012




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terça-feira, 16 de abril de 2013

Martelos


Para Anderson Borges



Hoje será um linguajar diferente que ganhará a cantoria.

É o Ploc Emoção, falando sobre o Pok Razão, culminando um Ploc Pok diferenciado.

Mas um martelo só é um objeto de construção se vários Ploc Poks ganharem musicalidade e construírem algo concreto.

Então o meu martelo pergunta para o seu “Ploc pok ploc?

E o seu responde “ Ploc, Ploc Pok Ploc!”.

A melodia está quase concluída e o meu martelo lhe diz “Ploc Pok Ploc Pok Ploc Pok, Pok Ploc Pok Ploc Pok Ploc Ploc!

Já que o seu martelo está descansando, instantaneamente decodifico-lhe a melodia dessas onomatopeias cantarolantes para que você se envolva nela tal como a compreendi...

E os Ploc Poks decifrados cantarolam: 

Você é o presente do presente, e eu sou o som da construção!”


Joyce Cristina Leme Gomes
Professora da Rede de Ensino de Poá, Graduada em Letras (UBC), Graduando em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda (UMC). É voluntária como Secretária na Diretoria Executiva, bem como na Comunicação da Organização Não Governamental (ONG) Associação Cultural Opereta. Atualmente desenvolve o blog da Associação Cultural Opereta, Joyce Gomes: Professora e Publicitária e Guitarra Flutuante.
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Lazer noturno

Kathy Carney Artist


O sono está batendo. Bate, bate, mas não se entrega.

A madrugada vara, vara a madrugada.

O sono cai, cai suavemente.

O semblante fica tranquilo. Bate, bate sono.

Sonhos ecoam, ecoam sono adentro.

Fisionomia descansada, sonhos desvairados.

E o semblante, a fisionomia, se depara com o sol noturno.

Sono volta, volta depois de bater.

Volta, volta para o inconsciente e só desperta quando o sol levantar.

Levanta, levanta e abre os olhos.

Levanta, levanta e vai viver mais um dia adentro.

O sonho sorri, a fisionomia sorri, o dia sorri: Felicidade!







Joyce C. L Gomes


07/09/2012

domingo, 7 de agosto de 2011

Guitarra Flutuante

Era sábado com aquela deliciosa brisa gelada outonal que ecoava nos mais variados lugares. Sábado como qualquer outro para todos, menos para mim. Era mais um dos muitos sábados que uma certa figura me chamava, um certo aparelho que me enlouquecia com apenas uma voz que se encontrava calada. Era um sábado... sábado em que chamava a fala sedutora daquele rapaz pelo telefone. Não era mais um sábado como os outros já ocorridos. Era um sábado, véspera de domingo, véspera dos Dias das Mães... Enfim, era um sábado que me chamava diretamente para conversar com um telefone que não possuía vida própria senão por intermédio de uma voz... Era apenas um sábado outonal que me seduzia com apenas um aparelho que não falava, mas, que seduzia...

Aquele telefone que era frio na aparência, mas que por de trás ardia num derradeiro esplendor que jamais se repetirá. Aquele discurso sedento de atenção conduzia-me na mais inocente malicia para algo totalmente memorável. Aquela voz ganhava minha persistência e dava o mapa de sua mina.

Meu olhar à janela, devia estar reluzente, avistava a quem queria bem, acompanhado de alguém ocultado no telefone. Fora ocultado para não perder a guerra da persistência que na mais pia inocência eu cedia. Fitei-o, contemplei seu olhar clamando por sua presença naquela rua vazia de habitantes. Onde ecoava na esquina mais próxima uma música familiar, uma música que desde bebê eu ouvia...

Arquitetava mil e uma coisas dentro de meu cérebro. Ouvia sem ouvir. Olhava sem olhar. Tímida com aquela presença desconhecida. Com o coração nada ponderado. Indagando a minha presença numa hora nada propicia para uma conversa a dois.

Meus lábios sedentos de água naquela rua deserta, sob um sol decadente... Minha mente demente perguntava sobre minha presença estimulada sabe-se lá pelo quê...

A inocência ao ouvir sobre a atual pequena, a nova namorada, fez-me crer que era hora de abandonar o navio. Procurar ganhar a rua, ganhar a hora atrasada do serviço. Mas estátua eu era! Observava aquele olhar empoleirado no muro, admirava aquele dedinho mindinho que era o mais gigante no meu coração. Contemplava aquele jeito encantador. Circulava meu olhar por seu corpo para mais rápido voltar naquela boca que, um dia quis muito beijar com ardente paixão.

Sua mente planejava alguma coisa que eu desconhecia. Entrou em sua casa. Eu fugia devagar. O seu amigo avisou da minha fuga. Escondi. Telefonou. Esperei escondida indagando a sua volta. Seu amigo avisava da minha partida, enquanto eu caminhava lentamente esperando à volta do meu tesouro que não tardou a aparecer.

Sua indagação sobre minha saída fugitiva questionava com aquele meu anel entre seus dedos. Extorquia-me um beijo que tanto quis dar, cobrava um beijo que eu não sabia como ganhar. Estranha era aquela sensação mas, mais doce era a idéia que me cativava. Pressionava-me com aquela argolinha entre os dedos pedindo apenas um beijo em sua face, um beijo mais formal. Mesmo queimando na minha mente a resposta; ainda, hesitante, estava.

Procurava uma distração para nada responder. Ganhava tempo para algo que não sabia como entregar. Seus lábios secos assim como os meus, ainda indagavam uma única atitude ou afirmação. Era apenas um beijo formal, nada mais. Hesitei tanto devido apenas um beijo amigável. Enquanto se afastava com aquele objeto na mão... Seria um beijo nada promissor...

Sua boca pronunciava, apenas, um beijo no rosto. Já estava eu confiante ma decisão. Sua Mao mostra o anel. Aproximava do seu corpo para beijar-lhe a face. Não sei qual química me afetou, qual lhe afetou, mas... Abri os meus olhos e não acreditei no que havia feito. Parecia ser um sonho, mas, não era... Primeiro beijo... Primeiro tímido toque labial...

Aquela mão com dedos calejados acompanhado de um tom tão agradável puxava-me contra seu corpo, encostava-se à parede... Outro toque.

Meu compromisso já bem atrasado me chamava. Seu amigo saía de dentro daquele casulo. Ganhava eu, aquela rua, para minutos mais tarde levar sermão do patrão.

Mas eu não andava, flutuava! Meu primeiro beijo, primeiro beijo com... Escorria a tarde, mas meu pensamento era fixo: era sua guitarra e não sabia!

Era sábado, nada mais do que um sábado véspera de Domingo, véspera do Dia das Mães. Véspera do Dia das Mães, mas quem ganhou o presente foi a filha...

Joyce C. L. Gomes
09 – Maio - 1998

Você


Doce inventor,
Caro companheiro,
Delicado incógnito,
Gentil amado,
Terno despercebido,
Meigo amante,
Cortês mestre,
Solitário pedinte...
Premiou o amor!
É um desejo
Sempre presente.
Miragem
Que nunca some
E a inspiração
Que sempre surge!


Joyce C. L. Gomes
11 - Janeiro - 2002

Parelha Estrelar



















Injusto tempo que fere
Cala-te, não espere
Veja, a luz está a brilhar
Siga o coração a palpitar.

Negro calar da noite,
Pensamentos nebulosos
Dizendo por um instante
Confirmando os entremeios
Deixe-se amar sem receios!

Joyce C. L. Gomes

Sina





















Partiu para o desconhecido
Com destino indefinido
Encontrou seu abrigo
Que estava gorado.
Seus sentimentos eram um pingo,
Era um pingo de temperamento.
Era afeto de um falso amigo
Que agora era inimigo.

A estrada ela seguiu,
Triste por perder e Feliz por ganhar
A vida seguiu
Sem esquecer
Daquele grande amigo
Que a vida se encarregou de desviar.
Quando tudo passou,
Feliz voltou a ficar...

A surpresa foi maior
Que a vida voltou a lhe dar!
A curva se tornou um círculo...
Vai e vem, vem e vai...
Quem vai desenganado,
Volta apaixonado
Saltitando uma canção...
Viva que vem do coração!


Joyce C. L. Gomes
08 - Outubro - 2002

sábado, 6 de agosto de 2011

O Encontro Marcado

No céu, a lua acompanhada das estrelas, eram os ingredientes daquela noite tranquila e ainda serena. Uma noite de verão, uma noite de diversão para uma doce rapariga que encontrara a solidão de um amor não correspondido.

A brisa batia sobre sua face delicada feição, uma brisa cheia de mistérios. Era uma noite infeliz como todas as anteriores, embora ainda prometesse inesperadas surpresas.

Esta rapariga era abordada por suas amigas para que saísse de sua toca e colocasse em prática o esquecimento de alguém que não merecia sua compaixão, devia esquecer a desilusão que havia sofrido há algum tempo atrás.

Iam encontrar num bar requintado para terem algumas horas de diversão.

Logo na porta, o segurança observava atentamente os clientes que iam chegando. Ana Carolina teve a sua atenção presa no ambiente novo desde o momento que colocou o seu pé por lá. Impressionada com a beleza e com uma certa elegância apreciava com olhar aquelas mesas arrumadas, o balcão, com um certo número de pessoas conversando, os garçons procurando alguém para atender, um rapaz tocando seu violão acompanhado de outro, que era o vocal...

- Este bar é muito interessante! Há uma harmonia que jamais senti antes noutro lugar: é tranqüilo, arejado, boa música, pessoas agradáveis...

- Isso porque aqui é somente uma parte, há ainda o outro lado. Lá o som é mais dinâmico, e o pessoal que não namora prefere lá, que aqui. Aqui é considerado o lado dos casais, enquanto lá, dos descompromissados. Vamos ficar aqui por alguns minutos, esperando pela Daniela. Pelo menos acho que ela deva vir... – dizia Duda.

- Não tem problema, daqui a pouco vamos...

Próximas ao balcão esperaram por alguns minutos. O movimento estava aumentando, os garçons, praticamente corriam, até que chegou Daniela.

Os corredores entre as mesas pareciam, cada vez mais, estarem menores. Subiram uma pequena rampa para que trocassem de ambiente. As pessoas estavam próximas da banda que, no momento descansava.

Com todo aquele povo situado mais ao centro, Ana Carolina estava ficando tonta; aquela era a primeira vez, depois de meses trancafiada em sua própria casa. Trombava com um, com outro e sempre pedindo desculpas.

Havia uma mesa vaga próxima da tal banda que retornara há pouco para continuar animando a galera.

- Vamos ficar naquela mesa? – perguntava Ana Carolina.

- Por que não? Ficar pertinho daquele tecladista maravilhoso! – respondia Daniela. – Bom, vão para lá, enquanto eu vou no balcão pegar uma caipirinha...

Aproximaram-se da mesa até que, um dos componentes olhava fixamente para Ana Carolina, mas ela ainda não havia prestado atenção naquele rapaz admirando e possuindo-a com seu olhar.

Sentaram-se e puseram-se a olhar ao redor.

O rapaz permanecia admirando-a com um ar de ternura, com satisfação, com todo carinho que conseguiam perceber no seu gesto arrogante e egoísta de meses atrás. Fitava-a com o olhar de arrependimento e saudade. Apreciava-a com o amor que descobrira, desde o momento que eles brigaram e da maneira mais absurda, ela afirmava indiretamente que ele fora o seu único amor.

Mas o olhar de Ana Carolina ainda não chegara na direção daquele rapaz egoísta, que não se importara com ninguém antes.

A pausa era total, mas Ana Carolina não percebera o motivo. Todos olhavam em direção a banda atentos aos recados que o vocalista dava sobre a sua programação para aquela semana lotada de eventos.

Após um minuto de silêncio Fernando tomou o microfone da mão do seu amigo e disparou a falar:

- Hoje estou com meu coração apertado, quer dizer, faz meses, desde que a garota que amava disse-me algumas verdades. Desde o começo pensava ser eu o certo e não percebi a sua necessidade, sua sinceridade, seu amor por mim. Descobri no momento que a perdi de vez. Não a procurei para tentar consertar tudo de errado que aconteceu. E agora ao vê-la na minha frente mais bonita do que antes, queria pedir mil desculpas e dizer-lhe que nunca a esqueci e sempre a amei, desde o dia que a vi encantadoramente conversando com suas amigas na escola. E como hoje estamos todos aqui, queria que vocês fossem meus testemunhos e certificassem a minha única decisão...

Neste momento ela olhava espantosamente para aquele guitarrista de meia tigela que um dia a ignorou, mas que em muitos outros a fez a mulher mais feliz do mundo. Abriu um enorme sorriso e continuava prestando atenção em cada palavra pronunciada por ele.

- ... Carol, não quero desperdiçar mais nenhum momento, nenhum segundo... Quer se casar comigo? – e tirou de dentro do seu bolso um par de alianças...

Ela olhou para suas amigas e enxergava através daqueles olhares cruzados que tudo fora um plano, um romântico plano...

- Nunca iria adivinhar que tudo isso fosse combinado! Fui traída pelas minhas próprias amigas... Mas depois de tanto tempo ter me conformado de tê-lo perdido, decidida a desistir de te amar, e sem ter conseguido... Eu quero muito continuar te amando, quero muito me casar com você!

Fernando pegou-a pela mão, colocou o anel no seu dedo direito. Puxou-a para que levantasse e deu-lhe um ardente beijo como jamais fizera antes.

Todos aplaudiram e se deliciaram naquele romance não acabado.

De novo com a felicidade estampada em seu rosto, pensativa, mas alegre, esperava seu noivo para acompanhá-la à sua casa, pois queria aproveitar todos os minutos que restavam ao lado dele...



Joyce C. L. Gomes
16 – Junho – 2000